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Benfica pondera investir através da aquisição do Pavilhão Atlântico

Isto, como em tudo na vida, são escolhas…. Uns aplicam dinheiro em activos imobiliários, outros aplicam-no em pagamentos de férias e carros aos arbitros, e nos deboches dos presidentes das SAD.

E o Porto, esse, nem vale a pena falar das contínuas negociatas de terrenos com as Câmaras do Porto e Gaia, detectadas pela IGF. Até o campo de treinos em Gaia é de borla (caso único), pago pela C.M.Gaia, que há tempos atrás era “só” a mais endividada do país. Agora já fizeram uma maningância qualquer para descer um pouco no ranking das mais endividadas, só significa que fomos nós todos a pagar as dívidas deles. O costume, pr’aquelas bandas.

Tudo isto a propósito da “preocupação” verde e azul e branca no facto do Sport Lisboa e Benfica poder vir a investir através da Benfica Eventos na aquisição do Pavilhão Atlântico.

Aspecto a reforçar e para colocar este assunto no seu devido lugar. Benfica e Sporting pagaram os seus respectivos Centros de Estágio. O Porto através de uma obscura “permuta” usufrui de algo à conta de todos os contribuintes. Assim, não se preocupem que a haver negócio (o que neste momento não passa de um mero cenário a confirmar) o Pavilhão será pago sem manigâncias. Em termos de investimento, bom, se compararmos que no máximo o Sport Lisboa e Benfica pode adquirir um importante activo pelo preço que o Porto deu por um tal de Danilo, creio que aqui pára de imediato o que de existe de matéria de facto e começa a matéria de “dor de cotovelo”.

Mas vamos ao que existe na realidade. No último dia oito de março, o Benfica foi referenciado como possível comprador do Pavilhão Atlântico. Esta notícia, foi mencionada no site “Event Point” e surgiu depois do Governo ter dado o aval para a venda do imóvel. O valor do mesmo não é certo, mas estima-se que se situe entre os 8 e 12 milhões de euros. A corrida pelo imóvel ao que se sabe está concorrida, com o clube da Luz e a promotora Live Nation a liderarem a lista de possíveis compradores. A princípio, o Sporting Clube de Portugal também foi dado como interessado, mas devido à crise financeira em que se encontra, prontamente abandonou a corrida. Posição oficial do Sport Lisboa e Benfica quando questionado sobre o possível interesse no imóvel, o diretor de comunicação João Gabriel limitou-se correctamente  a afirmar que o assunto estaria a ser “discutido internamente”, sem desvendar mais nenhuma informação. Benfiquistas, tudo, mas tudo o que vá para além disto é pura especulação.

Entranto no natural espaço de opinião de quem não conhece minimamente o dossier (EU), posso ser levado a pensar (e vale o que vale) que o Benfica estará de facto a ponderar a compra do Pavilhão Atlântico.

Parece-me ser do mais óbvio e elementar bom senso que se olharmos o sucesso que a marca Benfica tem tido através da Benfica Eventos um espaço como o Pavilhão Atlântico se pensarmos em Clubes desportivos apenas poderá estar ao alcance de um clube como o Sport Lisboa e Benfica. O Governo aprovou no início deste mês o processo de venda do edifício por negociação direta desde que cumprido um caderno de encargos onde de forma resumida se destaca o facto de ser necessário a apresentação de um plano de de investimento a aquatro anos e a salvaguarda dos postos de trabalhos dos Colaboradores que neste momento trabalham neste espaço. Tudo claro, óbvio, sem qualquer especulação.

Ponto de situação conhecido – A quase duas semanas para a entrega de propostas já são cinco os interessados na aquisição do Pavilhão Atlântico, um espaço que, em 2010, gerou receitas de 1,5 milhões de euros.

Além do Sport Lisboa e Benfica, surge a empresa norte-americana de produção de espectáculo Live Nation, a promotora Everything is New, a Sociedade Campo Pequeno e o empresário Joe Berardoque se mostra igualmente interessado além deste espaço no Pavilhão de Portugal,  que considera um «bom espaço» para a instalação da sua colecção de arte moderna.

A apresentação de propostas de compra do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, deverá ocorrer até 27 de Abril.

Dados sobre o Pavilhão Atlântico com base na informação da Event Point:

Em 2010, a Atlântico SA, gestora do Pavilhão Atlântico e do Pavilhão de Portugal, registou lucros de 381 mil euros, mais do que os 131 mil registados no ano anterior, segundo o último relatório e contas disponível.

O EBITDA, ou “cash flow” operacional (Ebitda é a sigla em inglês para earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, que traduzido literalmente para o português significa: “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”), atingiu no mesmo ano 725 mil euros, enquanto o EBIT ficou nos 565 mil euros (Sigla que vem do inglês “Earnings Before Interest and Taxes”. Em português significa lucro antes de juros e impostos)

Quanto a proveitos operacionais, a Atlântico SA terminou o ano de 2010 com 7,5 milhões de euros, mais 8% do que no ano anterior. Em termos desagregados, o Pavilhão Atlântico gerou proveitos de 1,59 milhões de euros, menos 11% do que em 2009, enquanto o Pavilhão de Portugal facturou 707 mil euros, mais 43% do que no ano anterior.

O activo da Atlântico SA situa-se nos 5,34 milhões de euros, enquanto o passivo ficou nos 3,08 milhões de euros.

Em 2010 a Atlântico, S.A., conseguiu acolher cerca de 125 eventos de dimensão e tipologia diversas, nos espaços sob sua gestão (Pavilhão Atlântico e Pavilhão de Portugal), dos quais 31 no Pavilhão Atlântico.

Em termos de ocupação, o Pavilhão Atlântico foi ocupado durante 259 dias, enquanto o Pavilhão de Portugal 153 dias.

 Posição da Parque Expo

A Parque Expo diz em comunicado que no âmbito da transacção do Pavilhão Atlântico, pretende que seja “acautelada a vocação do Pavilhão Atlântico, cujo tipo de utilização não deverá ser desvirtuado. Deve continuar a acolher uma programação atractiva, variada e culturalmente relevante, bem como a constituir um polo dinamizador da economia local e nacional em virtude, também, da realização de eventos empresariais e institucionais de grande dimensão”. Recorde-se que alguns “players” do sector demonstraram preocupação quanto ao futuro do Pavilhão e se ia continuar a ter as mesmas funções. 

O modelo adoptado para a transacção é a venda directa, por negociação particular, podendo participar no processo entidades singulares e agrupamentos. No mesmo comunicado, a Parque Expo convida “ para o presente processo tanto agentes do sector, como entidades que possam combinar as suas distintas valências e experiências no sentido de apresentarem uma proposta satisfatória”. O processo depois desenrola-se da seguinte forma: “as entidades que venham a ser escolhidas para participar no procedimento receberão uma carta convite, acompanhada de uma Nota Informativa, contendo, respectivamente, os termos do procedimento de venda do Pavilhão Atlântico e da sociedade Atlântico, e informação sumária sobre os activos a alienar”. “Após a formalização da manifestação de interesse pelas entidades convidadas a participar e o envio de documentação standard (incluindo um Acordo de Confidencialidade)”, continua a Parque Expo, “será disponibilizada informação adicional para efeitos de realização de due diligence ao imóvel e às sociedades e que incluirá, entre outros, o acesso ao data room, visitas técnicas e sessões de esclarecimento com os responsáveis das sociedades”. A apresentação das propostas decorre até ao dia 27 de Abril.

 Entrevista de Bruno Sá da Benfica Eventos: Benfica aposta nos eventos Entrevista de Bruno Sá à Event Point

“O Benfica lançou-se, definitivamente, no mercado dos eventos. Apesar de receber eventos há vários anos, e depois de um trabalho prévio de estudo do sector, a instituição decidiu apostar forte nesta vertente e até já lançou uma brochura dedicada à divulgação dos espaços para eventos e que pode ser consultada no site do clube. Fomos conversar com Bruno Sá, da Benfica Eventos, para perceber as potencialidades dos espaços e os objectivos do clube nesta área de negócio.”

“Que espaços tem o Estádio da Luz disponíveis para eventos?”

A Benfica Eventos tem várias salas para reuniões e seminários, um auditório com capacidade para 100 pessoas, que é a nossa sala de conferências de imprensa, salas para jantares e outro eventos com capacidade até 600 pessoas. Estamos a falar de espaços com visibilidade para o relvado. Para além dos espaços interiores, temos os pavilhões, um com capacidade para 1500 pessoas sentadas, outro para 2500; o Caixa Futebol Campus, no Seixal, que tem capacidade para muitos eventos. De referir ainda a Praça Centenário, que permite fazer feiras, concertos, de tudo um pouco. Temos um relvado sintético que permite realizar várias iniciativas. Espaços não nos faltam, até o parque de estacionamento já alugámos.

“Tudo isso condicionado pela época desportiva?”

“Sim, o nosso core business, que é o futebol, está em primeiro lugar, como é óbvio, mas é gerível. Temos cerca de 30 eventos desportivos, de futebol profissional no estádio, nos restantes dias há muitas oportunidades para entrarmos neste mercado.”

“Qual tem sido a reacção?”

“Temos tido muita procura.”

“Em termos de fornecedores? Há exclusividade?”

“No interior do estádio a única exclusividade que existe é ao nível do catering. Em relação a tudo o resto não há restrições. Temos obviamente os nossos fornecedores/parceiros. Estudámos o mercado e percebemos que os promotores dos eventos preferem quase sempre trazer os seus fornecedores habituais. Fora do estádio, nos pavilhões, na Praça Centenário, etc., não há qualquer exclusividade, incluindo o catering.”

“Qual é a grande mais-valia de organizar um evento num estádio?”

“Acima de tudo é um local único para convidar pessoas a assistirem a um lançamento de um produto, um evento, no palco onde as maiores estrelas de Portugal jogam, onde foi a final do Euro 2004, onde se realizaram as New 7 Wonders. Temos tido um feedback muito positivo de todas as empresas que têm organizado aqui eventos, quer a nível da organização, quer do impacto.”

“Fez referência ao espaço mais nobre de todo o estádio, o relvado. Que condicionantes e que possibilidades existem no uso desse espaço?”

“Procuramos sempre cuidar do nosso core-business, como é óbvio. Depende do projecto, do evento a realizar. Nos meses em que não há actividade desportiva, pretendemos realizar eventos no relvado, mas não é uma coisa que vá ser aberta a todo o tipo de propostas. Serão sempre estudadas.”

“Qual o peso que o Benfica quer para a área de eventos?”

“Temos um objectivo traçado, mas neste momento, neste ano 0, queremos estudar o mercado. Obviamente temos objectivos financeiros, mas que não posso divulgar.”

“Podemos falar de uma equipa exclusivamente dedicada à área dos eventos?”

“Hoje em dia já fazemos os maiores eventos desportivos em Portugal. Temos a experiência. São várias as pessoas na equipa, mas também depende de cada evento.”

“Não receiam que neste ano de entrada no mercado haja um contexto tão desfavorável em termos económicos que dificulte a tarefa?”

“Temos tido cada vez mais procura. O que tem acontecido nos últimos anos é o passa-a-palavra. As empresas do Corporate Club, cerca de 150, também procuram os nossos espaços para eventos. E temos tido uma grande receptividade no mercado. Olhámos para o nosso universo e esta é uma área em que faz sentido estarmos presentes porque as infraestruturas estão cá, os custos fixos existem, de modo que rentabilizando, só nos traz valor.”

Fonte:  Event Point

Por fim, devo dizer sobre os habituais opinadores sem cuidado em saber do que falam antes de dizerem algum disparate que  se o Benfica recebeu alguma coisa da Câmara M.Lisboa, o Sporting recebeu exactamente o mesmo, apesar de ser um clube com bem menos de metade dos sócios e simpatizantes do Benfica.

Com isto, e que fique bem claro, não estou a dizer que os clubes devessem ter recebido o que quer que fosse, apenas digo que os benefícios foram NO MÍNIMO iguais para os dois.

Em frente Sport Lisboa e Benfica

Dados e Fontes de Informação incluídos  neste artigo: Parque Expo e Event Point

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