Origem do Apito Dourado? Lembrem-se de quem disse: “Só vou para um clube que dê garantia de contar com os árbitros.”

«Há clubes que fazem tudo para vencer, para se auto proclamarem vencedores, e que transgridem as regras de forma obscena. Uma das coisas mais surpreendentes de tudo isto é a repetição nos nomes das equipas. São quase sempre as mesmas: Juventus, FC Porto…» – Santiago Segurola, director-adjunto do jornal A Marca

A história encarrega-se de deixar bem marcadas as manigancias de Pinto da Costa e seus acólitos. Ridiculas umas, anedóticas  outras e ainda outras muito sérias. Factor comum neste “Pulpus Curruptus” em que se transformou o FC Porto registar que os árbitros foram presa apetecível e indispensável na estratégia da dupla Pedroto-Pinto da Costa no topo, e de mais algumas personagens secundárias que entretanto não resitiram à erosão da Justiça do Tempo. Foram estes sabendo que controlando o sector da arbitragem tinham o caminho desbravado para dominarem o futebol português.

A entrevista que em 1988 Pedroto concedeu ao falecido jornalista Neves de Sousa do extinto Diário de Lisboa, é disso um perfeito testemunho.

Quer queiramos quer não, o processo ‘Apito Dourado’ despertou consciências que de tão habituadas estavam adormecidas. Finalmente, a tal corrupção de que repetidamente se falava mas nunca se concretizava,  tinha ‘pés para andar’, existiam razões objectivas, haviam factos e sobretudo nomes.

Como seria de esperar, os visados e os seus “ratos das leis” conhecedores de todos os buracos da Lei e utilizando todas as formas de esquiva processual ao seu alcance perante a Justiça que temos conseguiram que o Apito Dourado fosse desacreditado perante os tribunais. Perante a opinião pública? Claro que não. Podem dar as piruetas juridicas que quiserem que a marca “corruptos” está eternamente vincada pela lamina da faca da verdade na sua pele de dragão azul.

O Benfica bem pode ter um plantel de qualidade comprovada  e saber que está em condições de lutar ‘no campo’ pelo título de campeão, e com larga vantagem que surgem os apelos velados ao “PAPA” para que os velhos hábitos surgam com personagens antigas com cheiro a naftalina em conjunto com alguns “novos alunos” que vêm a ser preparados ao longo dos últimos anos por Pinto da Costa e sua velha guarda pretoriana.

Mas afinal onde e como nasceu a estratégia que acabou por ser chamada de Apito Dourado?

Sentem-se confortavelmente e leiam o que se segue.

Episódio contado pelo jornalista Neves de Sousa:

Pouca gente soube que o muito saudoso José Maria Pedroto esteve a um pequeno passo de ser treinador do Sporting, quando João Rocha era presidente do clube de Alvalade. Tudo estava acertado, pormenor por pormenor , até à mais ínfima partícula de um documento que vinculava as duas partes, pelo menos durante uma temporada futebolistica. Porém, no dia em que estava aprazado a assinatura nos papelinhos, Pedroto travou o gesto e subitamente disse para o  presidente do Sporting: “Esqueci-me de lhe lembrar, mas falta aqui uma clausula. Está tudo certo, tanto em relação aos meus prémios, como aos meus vencimentos, o caso do apartamento e do carro às ordens, tudo muito bem, mas o senhor presidente esqueceu-se de que eu lhe tinha dito logo no primeiro encontro: só vou para um clube que dê garantia de contar com os árbitros.

“Como, não percebo?”, indagou João Rocha, nessa altura pouco habituado a saber o que era certa fatia da arbitragem, Pedroto meteu a caneta na algibeira, levantou-se e apenas disse: “Quinze mil são para mim, mas para os árbitros são precisos outros tantos, caso contrário o Sporting só ganha campeonatos lá para o fim do século.”

O contrato acabou por não ser assinado. Pedroto rumou para outra latitude, mais compreensiva. O Sporting continua a ver navios.

Assinou então contrato com o FC Porto, após uma investida directa de Pinto da Costa, que estava devidamente autorizado pelo Presidente Américo Sá para contratar a qualquer custo o treinador português. José Maria Pedroto apenas colocou uma condição que se verificou: que Pinto da Costa fosse o Chefe de Departamento de Futebol Profissional. Começava assim uma dupla que marcou e marcará inquestionavelmente para sempre uma época no futebol português.

Pinto da Costa e José Maria Pedroto traçaram uma estratégia que visava afrontar todos os poderes instalados no futebol português e de uma vez por todas acabar com a hegemonia dos clubes da capital.

A temporada de 1976/77 foi altamente conflituosa. O FC Porto acabou apenas em 3º lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão a 10 pontos do SL Benfica que foi o Campeão Nacional. Venceu porém a Taça de Portugal numa final onde derrotou o SC Braga por 1-0.

No ano seguinte, finalmente, foi quebrado o longo jejum de vitórias dos FC Porto no Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Os azuis e brancos sagraram-se Campeões Nacionais depois de um competição disputadíssima, decidida na “goal average”, com o SL Benfica, que foi 2º classificado, com a proeza inacreditável protagonizada pelo clube da Luz, que não perdeu qualquer encontro na prova e não foi campeão.

Renovou o título de Campeão Nacional na época seguinte de 1978/79 em mais um campeonato extremamente disputado com o SL Benfica. Em 1979/80 perdeu o título para o Sporting CP, quedando-se o FC Porto no 2º lugar do Campeonato Nacional da 1ª Divisão somente a 2 pontos dos leões de Alvalade.

Depois destes 3 anos à frente da equipa do FC Porto o clima de “guerrilha” no futebol português, envolvendo os principais clubes e os poderes de decisão na FPF, estava extremamente intenso e fortemente acicatado por José Maria Pedroto e Pinto da Costa. Era um chorrilho de polémicas e um constante ambiente fervente entre os protagonistas.

Depois do FC Porto perder o Campeonato Nacional da 1ª Divisão da época de 1979/80, não conquistando o tri, José Maria Pedroto foi afastado do cargo de treinador principal do azuis e brancos pelo Presidente Américo Sá que se dizia farto das polémicas e conflitos gerados pela dupla Pinto da Costa e Pedroto.

A saída de José Maria Pedroto e de Pinto da Costa do FC Porto foi conturbada originando o célebre verão quente de 1980, quando 14 jogadores do FC Porto, onde constavam nomes como o de Costa, Oliveira, Octávio, Sousa, Frasco, Gomes, entre outros, fizeram uma autêntica rebelião não comparecendo aos trabalhos no arranque da temporada de 1980/81.

O Presidente do FC Porto Américo Sá deixava o nome de Pinto da Costa fora das listas concorrentes aos órgãos sociais. Em forma de protesto e demonstrando estar ao lado do actual presidente portista, 14 jogadores não compareceram aos trabalhos de preparação para a nova época sob os comandos do austríaco Herman Stessl, entretanto escolhido para suceder a José Maria Pedroto.

A estratégia de Pedroto, para quando perdia, passava por imputar as responsabilidades pelas derrotas ao exterior. Quando perdia, a culpa ou era do árbitro, ou dos poderes instituídos no futebol português que teimavam em prejudicar a sua equipa.

Ele e o seu aprendiz, Pinto da Costa, dividiram o país, erigiram guerras sem fundamento, lançaram o ódio, a mentira e o cinismo para cima dos adeptos e do quotidiano desportivo.

Pedroto será talvez a figura, de entre todas as áreas de actividade, que mais mal fez a Portugal e à sua coesão colectiva no último quarto de século, um mal de consequências que só o futuro poderá apurar.

E o seu aprendiz é estranhamente tolerado e branqueado por uma comunicação social imediatista, superficial e reverente para com o poder, por dirigentes desportivos e agentes diversos que fazem do servilismo um modo de vida, e até por uma classe política medíocre e bajuladora, capaz de o receber, ano após ano, a expensas dos nossos impostos, nos luxos da Assembleia da República.

Deve dizer-se, de forma bem clara, que o objectivo de vida de Pedroto e de Pinto da Costa não foi atingido. Apesar dos títulos conseguidos pelo F.C.Porto – grande parte deles à custa das mais variadas formas de viciação, muitas delas para além das questões vindas a público no âmbito do processo Apito Dourado -, a verdade é que o clube nortenho nunca foi capaz de se afirmar como referência nacional, nem cativar a simpatia, ou mesmo o simples respeito, da esmagadora maioria dos adeptos portugueses, sobretudo fora das fronteiras da sua delimitada região.

Pedroto e depois Pinto da Costa nunca conseguiram matar a alma benfiquista, Mesmo tendo, ao longo deste período, ganho mais vezes, o F.C.Porto nunca venceu por si próprio, mas sim e sempre, contra alguma coisa. Contra o Benfica, contra Lisboa, contra o Sul, contra os fantasmas dos seus próprios complexos. Mesmo ganhando aos grandes nunca deixou de ser pequeno. Uma pequenez do tamanho do seu presidente, que transformou uma instituição outrora respeitável num antro de rancor e podridão.

O clube do povo continua a ser o Benfica, de Norte a Sul, do Minho ao Algarve, do Continente às Ilhas, e é por isso que o ódio de Pinto da Costa aos encarnados permanece tão vivo.

Pedroto e o seu aprendiz. O primeiro já faz tijolo há anos e o segundo estrebucha porque sabe que já não tem muito tempo e mesmo com 30 anos de roubos, continua a liderar um clube pequeno, que não soube evoluir, crescer, tornar-se grande. Eis quem lançou a semente de 30 anos de corrupção, ódio e guerra no futebol português.

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